Este trabalho analisa a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município de
Araripina-PE, evidenciando como as desigualdades sociais estruturais influenciam o
acesso, a permanência e a conclusão escolar dos sujeitos dessa modalidade.
Fundamentado no método materialista histórico-dialético, o estudo compreende a EJA
como expressão das contradições do modo de produção capitalista, que
historicamente limita o direito à educação da classe trabalhadora. Os dados revelam
queda nas matrículas, altos índices de evasão e perfil marcado pela predominância
de mulheres chefes de família, estudantes negros e trabalhadores em situação de
vulnerabilidade. Apesar de avanços pontuais, como o aumento discreto da taxa de
conclusão, persistem problemas relacionados à precariedade da infraestrutura
escolar, rotatividade docente e ausência de políticas públicas contínuas e integradas.
Nesse contexto, destaca-se o papel estratégico do Serviço Social como mediador
entre escola e redes de proteção social, contribuindo para o fortalecimento da
permanência escolar e para a efetivação do direito à educação. Conclui-se que a
consolidação da EJA como política pública exige investimentos estruturais, articulação
intersetorial e reconhecimento da educação como direito humano fundamental, capaz
de enfrentar as desigualdades sociais que historicamente excluem os sujeitos
trabalhadores.