A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma endocrinopatia frequente em
mulheres em idade reprodutiva, frequentemente associada à resistência à insulina,
hiperandrogenismo e alterações metabólicas que comprometem a saúde e a
qualidade de vida. Nesse contexto, o inositol tem sido investigado como uma
alternativa terapêutica complementar devido ao seu papel na sinalização da insulina
e na regulação metabólica. O presente estudo teve como objetivo analisar as
evidências científicas sobre os efeitos da suplementação de inositol no manejo
nutricional da SOP. Trata-se de uma revisão de literatura realizada nas bases de
dados PubMed, SciELO, ScienceDirect e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS),
utilizando os descritores "síndrome do ovário policístico", "resistência à insulina" e
"inositol", combinados pelo operador booleano AND. Após aplicação dos critérios de
elegibilidade, quatro estudos foram incluídos na análise. Os resultados
demonstraram que a suplementação de inositol esteve associada à melhora da
sensibilidade à insulina, redução da glicemia em jejum, melhora do perfil hormonal e
lipídico, diminuição do índice de massa corporal, regularização do ciclo menstrual e
redução de manifestações clínicas da síndrome, além de apresentar baixa incidência
de efeitos adversos. Entretanto, observou-se heterogeneidade entre os protocolos
utilizados e predominância da associação do inositol com outros compostos,
dificultando a avaliação de seus efeitos isolados. Conclui-se que o inositol apresenta
potencial como estratégia complementar no manejo nutricional da SOP, embora
sejam necessários estudos clínicos com metodologias padronizadas para consolidar
sua eficácia e definir protocolos de suplementação.